Monday, June 18, 2007


Todos os anos magotes de jovens, valorosos talentos, são recrutados e enviados para a frente profissional da selva dos periódicos e editoras, entidades perigosas no trato com o inimigo e traiçoeiras na movimentação bélica. O ilustrador é tropa macaca, soldado raso e carne para canhão, mas ao mesmo tempo um empecilho porque responde ao inimigo (o editor cinzento e o designer resignado) com imaginação e destreza – muito para além do que lhe foi pedido – e por isso é visto com desprezo por quase todos. Estes talentos-armados insistem contra todas as expectativas e contra todos até porque, para dizer a verdade, eles não sabem fazer outra coisa a não ser disparar no papel ou no monitor figuras estropiadas e contorcidas, cenários devastados, armas de morte, instrumentos de tortura e vítimas de situações extremas. Se ao menos pudessem voltar para uma casa editorial onde todos os respeitassem e os amassem… mas não! O mundo é cruel e sem sentido… Quando se anunciou que na Feira Laica iria haver uma exposição com um apanhado destas imagens dramáticas realizadas no último ano por bravos soldados como José Feitor, Jucifer, João Maio Pinto, Edgar Raposo, Luís Henriques, Artur Varela, Zé, Miguel Carneiro, João Fazenda, Marco Mendes, Rui Vitorino Santos, Júlio Dolbeth, Bruno Borges, Ana Menezes, André Lemos, Filipe Abranches, Rosa Baptista, Teresa Amaral, Nuno Sousa, Carlos Pinheiro, Sérgio Cova, Daniel Lopes, Mina Anguelova, Joanna Latka e Christina Casnellie só me apeteceu chorar, tal como todos os anos choro quando visito a “World Press Photo”, aquela exposição onde se revive as melhores desgraças do ano… Pior que a Guerra são os voyeuristas, que poderão encontrar entre 23 de Junho e 25 de Agosto mais um conjunto de imagens de combates ferozes desta Tropa Macaca.
Olivais, 11/06/07Sub-comandante Marcos

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